FHOXSP
- Catan, o fotógrafo
publicitário
volta a ser mais procurado?
Catan
- Toda tecnologia tem
esse momento de adaptação.
O back digital, Phase
One, custa 30 mil dólares
e funciona melhor na
interface da Hassel
2 que custa oito mil
dólares que só
pega lente para ela,
que custa mais de três
mil dólares,
fora ter um computador
bem potente. Então,
o cliente liga e fala:
“Faz digital que
é mais barato”.
Qualquer estúdio
profissional para ser
digital precisa de 80
mil dólares.
Amauri
- O seu cliente pede
digital?
Catan
- Depende do nível
de conhecimento. Às
vezes perguntam. O pessoal
não entende nosso
universo.
Amauri
- O meu pergunta porque
ele tem uma camerazinha
digital em casa.
Catan
- O digital ainda não
é uma tecnologia
dominada totalmente.
Tem gente que sai com
back e filme. O problema
também é
que o digital não
tem original. Você
põe na tela e
está lindo, manda
imprimir e está
totalmente diferente.
Como vai estar o direito
autoral no digital?
Hoje o site da Abrafoto
está em reformulação
e vai ter uma área
fechada para o associado,
é o fórum,
além de uma área
aberta para todos.
FHOXSP
- Catan, qual o melhor
setor da economia para
a publicidade?
Catan
- Telefonia celular,
sem dúvida. Ainda
existe muito automóvel.
Agora cigarro acabou,
bebida por causa das
restrições
e porque a Ambev domina
o mercado.
Amauri
- Se a gente pegar como
padrão carro
do ano, apartamento
e viagem. Dá
para viver de fotografia
publicitária?
Catan
- Dá. Tranqüilo,
eu não diria.
Amauri
- Você tem dois
ou 50 amigos fotógrafos
publicitários?
Na minha área
é complicado.
Catan
- Não é
uma classe unida, mas
a gente se entende bem.
No geral os fotógrafos
se entendem bem. Não
acho que isso seja exclusivo
do fotógrafo,
mas do homem moderno.
Tem também muita
vaidade. Mas existe
um respeito acima de
tudo. A gente pega muito
equipamento emprestado,
rola muito.
FHOXSP
- Se tivesse uma empresa
que alugasse como nos
Estados Unidos, a coisa
vingaria?
Catan
- Eu não sei
porque o investimento
é muito alto.
A fotografia no Brasil
se configurou de um
jeito que você
precisa ter tudo. Ao
mesmo tempo, na década
de 80, o fotógrafo
publicitário
ganhava muito; o mercado
era pequeno. Acho que
o investimento é
de longo prazo. Como
cinema: o cara vai à
produtora e aluga a
câmera. Em Nova
York, você tem
o básico, o resto
aluga.
FHOXSP
- Qual a abrangência
da Abrafoto?
Catan
- É referência
padrão. Veja,
orçamento. A
pessoa não tem
que seguir, a gente
não é
igreja. A gente segue
o modelo americano.
Tem pontos negativos,
como preço. Mas
o mercado permite fazer
concorrência com
o critério que
você quiser.
Amauri
- Você pode ter
um excelente trabalho
aqui e ser reconhecido
lá fora.
Catan
- O mercado americano
é muito específico,
mas o europeu aceita
mais. Conheço
muita gente que trabalha
para o mercado europeu.
Acho que aqui a gente
se valorizou. O mercado
europeu não procura
preço, procura
personalidade, linguagem,
enquanto o americano
procura executor como
aqui. Outra coisa: no
Brasil, você tem
que fazer de tudo, precisa
ser versátil,
ataca em todas as frentes.
Amauri
- Minha categoria não
tem nada. Tenho idéia
de montar alguma coisa.
Catan
- Qual a finalidade?
Não é
veiculação
em massa...
Amauri
- A fotografia de casamento
cresceu muito, tanto
é que fomos notados
pela FHOX. A gente nunca
teve um reconhecimento
antes, e agora tem muita
gente que migrou.
Catan
- Existe diferença
entre associação
e sindicato. Uma coisa
que a gente nunca sabe
na fotografia são
as caras, então
é papel da associação
promover encontros,
debates, aquele assunto
chato sobre lente, não
sei mais o quê,
que só interessa
ao fotógrafo.
Para ter uma associação
específica, você
precisa de um quórum
bom. Primeira coisa:
na publicidade que os
caras têm poder
aquisitivo bom, eles
reclamam de pagar 82
reais por mês.
Associação
não vive sem
dinheiro, dá
trabalho.
Amauri
- Nos Estados Unidos
a taxa para o associado
é anual.
Catan
- Na publicidade
americana também
é, só
que não funciona
aqui, é complicado.
Aqui é o país
da prestação
sem juros. E tem gente
que não paga.
Agora foi mudado isso:
depois de três
meses sem pagamento,
o fotógrafo é
cortado, porque ele
fica no site, usa seguro
que é melhor
taxa do mercado, é
apólice coletiva.
Eu entrei na Abrafoto,
a princípio,
por causa do seguro.
Então, a associação
dá assessoria
jurídica, contábil,
a gente quer fazer uma
revista, informar as
pessoas, fazer palestra,
movimentar o mercado
e ter credibilidade.
Eu acho que você
teria que fazer uma
avaliação,
ver quantas pessoas
estão interessadas,
porque isso tem um custo.
Vai ter que ter uma
sede, contador, um funcionário,
e fazer um trabalho
de longo prazo. E pensar
na comunidade e não
em você e mais
meia dúzia.