Segundo uma pesquisa mundial, feita pela consultoria Age Wave e Harris Interactive, para o banco HSBC os brasileiros não estão pensando muito em como vão se aposentar. Ou em algum tipo de segurança para o futuro. Dos entrevistados por aqui, apenas 44% disseram que já estão tomando providências. Reflexo de um certo imediatismo cultural que acerca nosso país e demonstra um dado preocupante. No caso de fotógrafos profissionais, profissão de alto índice de informalidade, fica evidente que a aposentadoria pode ser um problema.

É óbvio que muitos não irão parar de trabalhar, fora que uma renda extra sempre é bem vinda, mas com o passar dos anos imprevistos sempre podem surgir. Para fotógrafos profissionais, pensar em um plano de aposentadoria, é uma forma de garantir um futuro mais seguro. É possível recolher todo mês um valor para a previdência social ou buscar um plano de previdência privada. Eugydio Zunazzi, fotógrafo profissional de São Paulo optou por outros tipos de investimento. “Porque deixo de pagar taxa de administração. Acho que consigo melhor retorno do que previdência” explica. Um dos tipos de investimento que Zuanazzi escolheu foi em imóveis. O bloqueio de Zuanazzi com taxa de administração e melhores rendimentos é válido. Assim como ele muitos preferem ficar de olho e buscar um retorno maior.

Os planos funcionam com a reunião de recursos durante muitos anos, que no futuro vai garantir uma renda mensal para os contratantes. Antes este tipo de produto financeiro era uma forma de poupança extra, mas como a previdência do governo está sendo reduzida foi o caminho óbvio para buscar uma alternativa.Hoje uma pessoa pode escolher entre dois tipos de planos. Aberto e fechado. O aberto é opção disponível em bancos e seguradoras. A grande vantagem dele é que pode ser sacada a cada dois meses. Em casos de emergência sempre pode ser usado. O fechado é voltado para os trabalhadores, que tem uma parte recolhida do salário e outra paga pela empresa. Neste caso a vantagem é a dedução no imposto de renda. Nas opções de plano fechado existem as seguintes categorias:

VGBL – Vida Gerador de Benefício Livre. Bom para aqueles sem renda com incidência de tributos, porque não é dedutível do Imposto de Renda. Nesse produto, não existe uma garantia de rentabilidade mínima, ainda que todo o rendimento seja repassado ao integrante.
PGBL - Plano Gerador de Benefício Livre. Interessante para aqueles que fazem a declaração do imposto de renda pelo formulário completo. É uma aplicação com chance de risco, pois não há garantia de rentabilidade, que pode até ser negativa. Mas em caso de ganhos, é repassado ao participante. A grande vantagem está em se optar, na adesão ao plano, pela idade do início do benefício investido
Fapi – (Fundo de Aposentadoria Programada Individual) é sugerido para quem declara o Imposto de Renda usando o formulário simplificado. Nessa opção, não existe uma garantia de rentabilidade mínima. É o menos popular e praticamente nem é usado mais.
Tradicional - Tem garantia de rentabilidade mínima e correção monetária no período do investimento. Pode-se abater até 12% da renda bruta na declaração do Imposto de Renda. Os rendimentos são repassados apenas em parte, que varia de 50 a 85% do total conseguido.

Com a popularização dos planos também existem novas opções de produtos que chegaram ao mercado no ano passado. Alguns deles já prevêem descontos de IR, relacionados ao tempo do dinheiro aplicado. Quanto mais tempo, menos imposto de renda é cobrado. A certeza é de um mercado que não para de crescer. Carlos Ricon, 40 anos, fotógrafo desde 1997 está decidido a começar um plano este ano. “Com certeza vou fazer, é difícil confiar na previdência do governo além de ela pagar pouco.” Diz ele. Ricon recolhe todo mês desde 2002 pelo INSS graças ao recolhimento obrigatório de quem decide abrir sua própria empresa.

Como os planos ainda são algo recente existem muitas dúvidas e bloqueios. Coisa natural das incertezas do amanhã. Mas muitos apostam nesse mercado. Porque hoje são seis milhões de clientes. Com a tendência de aumentar ainda mais neste ano. E não se trata só de pessoas com 30 anos ou mais que estão preocupadas com estes produtos financeiros. Hoje é estimado do total de planos sendo pagos, 1 milhão seriam só para crianças e adolescentes que foram contratados pelos pais. Prova de que existe gente pensando no futuro. Resta saber quantos desses seis milhões de planos em todo Brasil são de fotógrafos. Difícil dizer já que não existem dados conclusivos separados por profissão. Como a profissão fotógrafo profissional ainda é para muitos um trabalho para ajudar na renda, o famoso “bico”, a resposta pode não ser das mais positivas.

No caso dos fotógrafos, um plano de previdência pode ser uma opção interessante para o futuro. Existem, claro, muitas dúvidas:

1. Será que o plano vai estar disponível quando for preciso?
Existe o risco de a seguradora quebrar. Por isso é importante buscar uma empresa sólida e confiável. Grandes bancos privados e estatais como o Banco do Brasil tem planos de previdência. É possível fazer uma transferência de um mesmo tipo de plano de uma instituição para outra. No caso de planos diferentes não. Outro risco é o de morte, nesse caso beneficiários recebem o saldo acumulado. Em caso de invalidez o contratante dependendo do tipo de plano e tempo de pagamentos pode receber.

2. Se o fundo não irá fazer besteira com o dinheiro?
Não existem garantias. No caso do PGBL pode até ter um resultado negativo. Ou seja, o investidor pode perder dinheiro. Mesmo em aplicações com fundos DI não existe garantia de ganhos. No caso de interesse em segurança a boa e velha poupança é uma alternativa.

3. Quando começar a recolher?
Não existe momento certo. Mas o melhor é iniciar um plano o mais cedo possível. Hoje é crescente o número de pessoas na faixa dos 30 anos que já tem um plano. Para se ter uma idéia, começando com depósitos R$ 90,00 mensais em um plano conservador, você terá a partir de 60 anos uma renda de R$ 1.000,00.

4. Quanto devo investir por mês?
Se um fotógrafo poupar R$100 todo mês durante 30 anos com rendimento mensal de 1% ao mês. Terá direito a uma renda mensal com 20 anos de duração no valor quase 4 mil reas. Para ter uma renda maior, na faixa de 7 mil reais, de também 20 anos terá que poupar os mesmos R$100 por 35 anos. Ao contratar um plano existem tabelas demonstrativas com tempo de poupança, rendimento mensal e outras informações importantes.

5. O que rende mais DI ou PGBL?
São parecidos. Com expectativa de rendimento muito próximo ao CDI. Mas a ressalva para o DI é que sofrem tributação de Imposto de Renda de 20% sobre os rendimentos. O mesmo não ocorre nos planos PGBL e VGBL.

6. Qual são as boas empresas para escolher?
Existem muitas opções. É importante buscar empresas conhecidas. Sólidas e com marca estabelecida no mercado. Vale lembrar que quase todos os bancos oferecem estes produtos. Portanto conversar com o gerente da conta pode ser um início.

7. E para quem está com mais de 50 anos? É interessante começar?
Mesmo nessa idade vale a pena investir no futuro. Hoje os planos de previdência oferecem muita flexibilidade. Quem tiver mais de 50 deve estar fazer contribuições proporcionais ao valor esperado de benefício. Se você já tiver um valor acumulado em alguma aplicação pode transferir para iniciar seu plano. Também é possível definir para os 65 anos o início do recebimento dos benefícios.

 
   
   
 
 
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