Riginik
- Hoje em dia é
complicado demais ser
fotógrafo: você
trabalha, trabalha...
Flavia
- Mas mudou para todo
mundo.
FHOXSP
- Antigamente
rolava mais dinheiro
no mercado.
Riginik
- Um amigo que trabalhou
com tecnologia a vida
toda, fala da mudança
da tecnologia, da propaganda
convencional. Isso já
era, hoje existem outras
ferramentas mais apropriadas.
FHOXSP
- Voltando
para o caso de um fotógrafo
bom que, de repente,
fica sem trabalho. Em
que uma assessoria ajudaria?
Flavia
- A assessoria deve
ser contratada quando
tem um tema. É
mais legal contratar
para divulgar do que
por meio dela atrair
um trabalho.
Riginik
- Mas “Tostines”
vende mais porque está
sempre fresquinho ou
porque é fresquinho
vende sempre mais?
Flavia
- É mais interessante
divulgar o que está
fazendo. É como
médico. É
legal divulgar que tem
o laser do momento do
que dizer “sou
médico”.
Veja o ator. Se ele
não está
na mídia, é
difícil encaixá-lo.
Às vezes você
sugere uma pauta, e
o jornalista pergunta
se ele está fazendo
alguma coisa na tevê
ou no teatro.
Riginik
- Você fala então
de um trabalho passivo.
Flavia–
É. Vejo que para
publicidade a assessoria
de imprensa não
funciona muito, mas
para um serviço,
sim, como a fotografia
de casamento.
FHOXSP
- O que mais
aparece para você
na fotografia?
Flavia
- Exposição
e lançamento
de livro. Tem fotógrafo
que fala: “Vamos
fazer um trabalho constante”,
mas não consegue.
Riginik
- Não pode gerar
pauta para eles?
Flavia
- Depende. O mercado
de cultura é
“Ilustrada”,
“Caderno 2”,
Bravo. Não vejo
a assessoria gerando
trabalho, mas construindo
uma imagem.
Riginik
- Você acaba caindo
na pessoa física.
Imagine um fotógrafo
que caiu e machucou.
Gerou notícia.
Isso não influencia?
Flavia
- Vamos supor que você
foi chamado para trabalhar
no exterior. Aí
é interessante,
porque tem algo a dizer.
No geral é trabalho
de galeria, foto. Sempre
que sou contratada,
pergunto quem na empresa
vai cuidar de mim. O
chef de cozinha, o artista
plástico, o fotógrafo,
não vão
ter tempo. É
importante que tenha
uma pessoa, que trabalhe
com ele, que faça
essa união. Quem
tem uma assessoria precisa
ter alguém que
cuide dela, alimentando
sempre com informações.
Isso não é
só na área
da fotografia, é
geral. Tem que mandar
esses fatos. Comparo
meu trabalho com academia
de ginástica:
você precisa ir
para ter resultado.
FHOXSP
- Exposição
é uma boa ferramenta?
Tem alguma época
do ano que gera mais
resultados?
Riginik
- Posso responder? Acho
exposição
fundamental porque você
mostra um trabalho pessoal,
faz o que quer e não
o que te pagam. É
dar a cara para bater.
Flavia
- Tem uma época
do ano que é
mais difícil
de a gente encaixar.
De setembro a dezembro
é corrido. Janeiro
é mais fácil.
FHOXSP
- Mas aí
não tem gente
na cidade para visitá-la.
Riginik
- Ter muita gente para
ver ou não, é
irrisório. Porque
geralmente as pessoas
que querem, vão
dar resultado, ficam
sabendo. Não
é uma exposição
do Picasso, que enche
o museu.
Flavia
- Dezembro é
complicado. Você
liga e o pessoal fala:
“Já fechei”.
Veja o programa do Jô.
FHOXSP
- E como se
mede resultado?
Flavia
- Supercomplicado. Um
fotógrafo que
expõe na Pinacoteca,
por exemplo, tem um
retorno esperado. Se
ele está fazendo
um trabalho com uma
atriz em evidência,
é outro.
FHOXSP
- Você
recusa cliente?
Flavia
- Geralmente os que
chegam em cima da hora.
Você vai se estressar
e não ter resultado
satisfatório.
Acontece de tudo na
nossa área. De
cara, falo: pode acontecer
isso, aquilo. Já
aconteceu de eu ter
um cliente que ia ser
capa da “Ilustrada”.
Mas no dia houve mortes
de pessoas famosas no
Brasil e no mundo coincidentemente,
e eles derrubaram a
pauta. Fazer o quê?
A sorte é que
o cliente entendeu.
Há outros que
não entendem,
por isso não
gosto de falar com antecedência.
Hoje em dia é
assim. Tinha uma época
em que se abria uma
exposição
que rendia sete matérias
no mesmo dia. Agora
não há
mais espaço.
Os cadernos de cultura
diminuíram.
FHOXSP
- E a Internet?
Flavia
- É bem legal.
Acho que é outra
opção.
Tem de atuar em todas
áreas: tevê,
rádio.
Riginik
- Você sugere
ao cliente planejamento?
Flavia
- Acho bacana. O interessante
é saber que aquilo
pode mudar.
Riginik
- Você está
me dizendo que seu trabalho
é mais passivo.
Flavia
- Em termos. Na área
de vocês (publicidade),
sim.
Riginik
- Se você pegasse
um bar...
Flavia
- Se for um bar, você
tem um calendário.
Olha, está chegando
a Copa do Mundo, então
você pergunta
se vai ter telão,
uma promoção.
Riginik
- Se depender da gente,
não vai haver
notícia porque
a gente esquece de informar.
Flavia
- No caso do bar você
pode ser mais ativo.
No caso de fotógrafos,
artistas plásticos,
atores, é preciso
estar em algum projeto.
FHOXSP
- Fotógrafos
têm aparecido
muito em novelas, veja
“Belíssima”.
Flavia
- Interessante.
Riginik
- Fotografia não
é encarada como
profissão, mas
hobby. Existe um certo
preconceito. Eu vivi,
quando disse a meu pai
o que ia ser. “Fotógrafo?”,
ele me disse. Tem muito
fotógrafo no
mercado e a tecnologia
digital achatou muito
mais, é difícil
concorrer. É
a mesma coisa que pegar
uma curva entre o branco
e o preto e diminuí-la
no Photoshop. Hoje em
dia ser fotógrafo
e não ser fotógrafo
é muito perto.
Flavia
- Já vi produto
ser destruído
por causa de uma foto
ruim. A gente orienta
o cliente, porque muitas
vezes ele quer economia
na foto. Acho que a
profissão fotógrafo
tem muito glamour: este,
superfotógrafo,
o outro, bom fotógrafo...
Riginik
- Você não
acha que a diferença
não está
na mídia, acho
que não está
na técnica.
Flavia
- Acho que parte está
no histórico,
na mídia.
FHOXSP
- Você
já lidou com
gerenciamento de crise?
Flavia
- Não, nunca.
Estou tentando me lembrar
de uma.
Riginik
- Bom.
Flavia
- Trabalho de maneira
artesanal, num contato
direto com o cliente
e gosto de ter controle.
Amo meus clientes e
os considero parceiros.
Os fotógrafos
que conheço não
têm ego exacerbado,
querem fazer o trabalho
deles. São tímidos.
Riginik
- Acho complicado porque
todos têm. Não
é que os fotógrafos
não querem aparecer,
talvez não saibam
lidar com isso. Quando
mostro meu portfólio,
as pessoas dizem “bacana”,
mas para mim aquilo
é rotina.