Texto: Regina Sinibaldi
Fotos: Marcelo Célio

 
O 3º Congresso Paulista de Foto e Imagem sediou a Série Encontros, da FHOXSP, em duas oportunidades. A primeira aconteceu na tarde de 18 de abril quando o fotógrafo de casamento Amauri Domingos, o comandante do laboratório Instancolor, Jonas Chun, o responsável pela Digipix, Marco Perlman, e o fotógrafo de Fórmula 1 Miguel Costa, se reuniram para conversar sobre livro fotográfico.

O produto, na verdade, tem sido chamado de diversas maneiras. Uma delas é “fotolivro”, termo que recebeu até registro em marcas e patentes pela Digipix. Se livro fotográfico, ou álbum-foto, ou ainda outro correlato, o fato é que o produto veio para ficar. Já tem dois anos de existência e é criação de
Chun que transformou as fotos de Michael Schumacher, feitas por Miguel Costa, numa obra-de-arte visual. O alemão voador ficou emocionado com a retrospectiva de sua carreira. Como se vê, o produto já nasceu famoso e objeto de desejo. Leia, a seguir, trechos do bate-papo.

FHOXSP - Como foi criar o livro fotográfico?

Chun - Era uma tendência. A mulher quando faz maquiagem é para aparecer diferente. É a mesma coisa. Quando fiz o primeiro livro, fiquei empolgado. Sabia que isso ia levar a alguma coisa. Gosto de criar. Já estou com outro projeto que não tem nada a ver com isso. O importante é a fotografia ser boa e o fotógrafo deixar o livro para o designer.

Amauri - Você tentou atingir que público?

Chun - Não sei, estava querendo resolver o meu problema.

Amauri - Por isso não deu certo?

Chun - Está dando muito certo. Por que falo que nunca vou ser bom designer? É ritmo. Se você editar mal, está danado. Não se pode usar template. Minha preocupação é no máximo atender 20 fotógrafos. Fiz um livro para um maestro e ele adorou. Encomendou outros para toda a orquestra. Para mim, o importante é sempre inovar. Hoje o livro não é mais o foco, estou em outro projeto.

Perlman - Realmente quem inventou foi o Jonas e o posicionamento do produto dele foi extremamente feliz, único, particular, especial, artesanal, no melhor sentido. O problema é justamente atender mais de 20 fotógrafos. A resposta tem que ser diferente, até porque economicamente é inviável. O nosso “fotolivro” é uma ferramenta para que mais gente tenha acesso para criar seu próprio livro. Nosso negócio é dar ferramentas às pessoas para que coloquem as fotos da maneira que quiserem. Acho que template deixa tudo igual. Concordo com você, Jonas. Tem que ser usado com muito cuidado. A proposta da Digipix é uma impressão de alta qualidade e alguns acabamentos padrão para que todos possam ter acesso. A gente se insere num nicho diferente no segmento livro fotográfico. É como você falou, Jonas: o negócio é ser criativo.

FHOXSP - Amauri, fotógrafo é ou não designer?

Amauri - Estou ouvindo e quero fazer uma retrospectiva. Quando comecei há 16 anos havia um padrão: álbuns 24 por 30 cm, fotos posadas e um fotógrafo copiava o outro. O que vejo nesses livros é uma volta ao passado. Não vejo como arte, salvas exceções.

Chun - Então você não viu...

Amauri - O problema é que esses livros são inacessíveis para o fotógrafo de casamento. Eu sempre quis ter um livro, e livro para mim é papel cuchê e não fotográfico. Tem muita coisa ruim no mercado, claro que não é o seu. Aquela questão, a do fotógrafo que quer ser tudo, é isso mesmo: ele é fotógrafo, secretária, designer, marqueteiro... e querendo ainda participar de palestra (risos).

 
 

FHOXSP - Miguel, você tem fotografado casamento. Tem público para esse tipo de livro?

Costa - Não fiz casamento, mas acho que tem. É pequeno, mas tem.

Chun - O fotógrafo tem que cobrar o que acredita que vale.

Costa - Durante vários anos tenho a preocupação de apresentar o trabalho da melhor forma. Quando o Jonas fala do ritmo, acho algo espetacular. Dá um upgrade muito grande essa história de livro. Você mostra, o cara fala: “Quero isso”. Não são todos os clientes que dispõem de recursos para fazer um. O livro ajuda bastante a vender uma linguagem do fotógrafo. No meu caso foi de grande valia. Tenho cliente que fala vou fazer um por ano. É algo que você planta e vai colhendo. E a gente está em evolução dentro disso.

FHOXSP - Aqui há duas vertentes de livro fotográfico...

Chun - Outro dia vendi um livro para um empresário, não sabia quem ele era. Ele disse: “Você é bom, cara”. Dentro dessa história toda, tem mercado para os livros.

Perlman - Concordo. O seu livro é para o presidente, o diretor. Nossa proposta é trazer um produto de bom gosto, mas para uma camada mais ampla da população. É legal poder viabilizar isso e a edição é fundamental, mas não concordo que seja mais importante que a fotografia.

Chun - Nessa história toda vai ter emprego para designer. Se o cara editar errado, é uma lástima. Se a foto saiu ruim e o cara souber editar... O foco é edição.

FHOXSP - Suas clientes pedem livro, Amauri?

Amauri - Direto, isso é moda. Não conheço a diagramação do Jonas. Faço com a Digipix. Eu diagramo os livros, é um trabalho que gosto. Meu cliente não pagaria os livros do Jonas.

FHOXSP - Miguel, você está migrando para moda. Seu cliente tem perfil para isso?

Costa - Não posso te dizer com clareza ainda.

Perlman - O que vai acontecer, por exemplo, é o Herchcovitch ter o livro do Jonas e mais quinze feitos na Digipix para ficar nas revendas. São produtos diferentes.

Chun - Custa caro, mas tem termo de garantia. Fotografia agora é mera commodity. O livro é um mercado crescente, todo mundo vai aderir a isso.

 
 

FHOXSP - Por que, Marco, você registrou em marcas e patentes a palavra fotolivro já que é uma palavra de uso corrente, assim como fotoacabamento?

Perlman - Simplesmente a gente registrou um termo de um produto que a gente está desenvolvendo sem maiores pretensões.

FHOXSP – Um jornalista vai poder usar “fotolivro” genericamente?

Perlman - Acho que tem várias pessoas usando essa terminologia. Se você entrar www.fotolivro.com.br, esse domínio pertence à Digipix. Acho que não existia esse produto, por isso registrei. A gente tomou essa decisão e resolveu difundir o produto. Se Banco 24 Horas, pode, “fotolivro” também pode, por exemplo. Não tenho intenção de ser pai do Aurélio. Vamos tomar, como exemplo, essa discussão de hoje: o produto do Jonas é igual ao da Digipix? Sei lá. Tem coisas em comum e diferentes. Os dois são livros? Sim. Os dois são álbuns? Talvez. Os dois são impressos? Sim, mas um é em processo químico.

FHOXSP - Para o consumidor, leigo no assunto, não cria confusão?

Perlman - Mas não tem a nomenclatura. Chama-se de alguma coisa para facilitar. Acho que nem chegou ao consumidor. Vocês têm muito mais influência do que o consumidor, do que a gente. Se o consumidor achar “fotolivro” um nome horroroso, a gente muda.

Amauri - Como marketing meu, criei uma categoria álbum-livro. É como água Perrier.

 
 
Para saber mais sobre livro fotográfico e “fotolivro”

Os livros fotográficos confeccionados por Jonas Chun são oferecidos em diversos tamanhos e números de páginas. O formato fica a critério do cliente. São feitos em papel fotográfico. (Veja exemplos em www.instancolor.com.br)

Já o “fotolivro”, da Digipix, tem saída em papel cuchê (170 g/m2), nos formatos A3, A4 e A5, em impressão ink jet. O acabamento pode ser capadura, espiral ou sem acabamento para a conveniência do fotógrafo. (Veja exemplos em www.fotolivro.com.br)
 
 
 
 
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